terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Novela das 8
Maria Alice tinha lido no livro:
“as ficções existem para ajudar a acreditar na ficção da vida da gente. “
Mas, mal virou a página com ar de preferida e se sentiu traída pela metáfora.
Aos 20 e tantos anos aconteceu muita coisa , mas o seu cotidiano
ainda tinha ar de rarefeito..
Vício de sonhar acordada, confabulando ambições
Querendo tudo.
Parada no tempo.
Dando bem vindo ao nada.
Suspirando carnavais..
“Alice que queria ser atriz,
que levou fora de João,
que pegou Maria
ficou sozinha e
vai fazer 30 anos..”
Que categoria é a vida?
Que gêneros é preciso pra ser um bom vivant?
Romance? Terror? Drama?
Reality show a la carte..
Trancada sábado à noite em casa sozinha..quem você elimina?
- Nem rainha de bateria, nem primeira presidente!
Sou protagonista meu amor!
Posso ser quem eu quiser
E até quem sou!
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Super / citações
Ninguém pode assegurar, my Darling,
que eu não fale minhas gírias,
palavrões,
que eu não coloque o dedo na sua cara
te alfinetando com as minhas ironias.
Faltam garantias e validades.
E mais você na hora marcada.
Ausentam-se os sorrisos enquanto sobra virtualidade.
Sobrei!
“Estou farto do lirismo comedido” – de contemplações, covardias.
Quando o perto do perto já é o máximo, “caio fora”.
Hoje eu encontrei as lágrimas.
E elas a mim, inteira e retalhada.
A mesma escuridão que mata, marca:
“a frio,
Ferro e fogo,
Em carne viva...”
sábado, 25 de dezembro de 2010
Matemática.

Minha própria cegueira,
minha armadilha.
Raiva, rancor e decisões precipitadas.
Minha própria armadilha,
minha armadura.
Escolhas, explicações e tudo mais que se pode alegar.
“O que fazer com nosso amor
Se andas com minhas pernas
O que fazer com nosso amor
Se vejo com teus olhos
Um mundo louco e tenso de paixão e medo”
Ecoa: Paixão e medo!
Deixo-me alagar.
Como rádioamadores,
em diferentes freqüências,
somos uma só sintonia
quando o assunto é amor.
(um só choro e tudo segue:
“nada será como antes”.
As coisas em uma nova dimensão.
Multiplicadas!)
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Pequena fenda para o deserto

“Tinha sido escolhida, desde criança,
para ser ninguém e nem nunca”.
[Manoel de Barros]
Já é tarde e só agora, depois de muito tempo, percebo que ao longo dos anos só fiquei esperando as horas passarem: A manhã virar ocaso e dá passagem para noite. Sempre fui aquela que vivi cada sentimento até que ele arrebentasse, sem interrupções, sem que houvesse tempo para discernir se havia mágoa ou só sede de mais. Mas não posso colocar cortinas nos olhos. É preciso transcender a miopia. Mesmo não sabendo se estou apta a dizer o que existe, se há amor ou se já findou.
Só sei amar o que está perto, não tenho paixão pelo longínquo. Quanto mais se afasta, mas demora o tempo de reconhecer todo o caminho outrora percorrido. Descobri, mesmo com toda cegueira, que gosto é do sorriso simples e dos dias acessíveis. Não posso mais me entregar aos dramas que embalaram quase toda a minha adolescência. A idade não me permite mais. Vivo, agora, o silêncio de quem grita e o escândalo de quem cala.
Preciso que logo tragam uma espécie de coisa que me entarde os olhos. Para que amanhã, quando eu acordar, possa estender no arame uma música ávida por alegria.
As coisas dentro de mim desacontecem.
Maria Karina
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Viva o nordeste!
Me enoja saber que no Brasil, o preconceito sujo e velado vende imagem carnavalesca de alegria e fraternidade pra si mesmo e lá fora. Não compactuo com essa fantasia e não vou compactuar. Falar que não existe mais direita , nem esquerda, tudo bem. Mas, viralizar na internet que a eleição da primeira mulher do Brasil é culpa do nordeste que não gosta de trabalhar. É Xenofobia.
Com muito orgulho eles, eu e muita gente da Zona Sul, Norte, Leste e Oeste elegemos a primeira mulher presidente. Somos nós, das outras classes, C, D e E que construímos as casas dos que têm sobrenomes impronunciáveis e pelo visto estudaram pouco. Não sabem e nem querem conhecer o que é política social.São os Da Silva que precisam do Minha Casa, Minha Vida que carregam até hoje os descendentes daqueles que foram expulsos de suas terras.
Se o Nordeste foi quem decidiu o futuro do Brasil, que assim seja feita a vontade do povo mais genuíno e trabalhador do país.
E a você, "preto de alma branca", ou "branco babaca mesmo", mais respeito e educação
que nós, Joãos, vamos passar!
“XENOFOBIA
Os derrotados nas urnas no dia 31 nem esperaram a poeira baixar e já começaram a destilar o seu ódio contra os nordestinos por considerá-los os responsáveis pela vitória de Dilma. No twitter várias mensagem xenofóbicas foram postadas, algumas inclusive, pedindo a morte dos nordestinos, que coitados, como já não bastasse a seca e as demais dificuldades que enfrentam para sobreviver ainda têm que rezar contra as pragas de alguns descendentes de imigrantes que chegaram ao País, puxando a cachorrinha e hoje estão muito bem obrigados.
XENOFOBIA II
A maioria desse pessoal de sobrenome impronunciável chegou ao País fugindo de guerras, fome e perseguições políticas. Todos foram bem acolhidos pelos brasileiros que já moravam aqui. Trabalharam, se deram bem e o agradecimento que hoje dão é pedir a morte de quem lhe deu a mão e o acolheu.”
(Jornal Meio Norte. Teresina-PI, quarta-feira, 3 de novembro de 2010. Coluna:Minuta – Responsável: Luiz Brandão)
