sábado, 14 de novembro de 2009

Apagão induzido - Back to black



Uma arte: ignorar.
Porque é assim, mas sem qualquer sintoma de desprezo.
As energias que convergem.
Difíceis de admitir – digo, nesse contexto.

Olhar e sentir a cidade grande, com o gosto e o peso da cerveja tomada.
Cena 1, tomada 1: o cheiro, sweet, sweet, sweet.
Cena 1, tomada 2: a leveza, "Leve, como leve pluma. Muito leve, leve pousa."
Cena 2 / Granfinalle: Ah, não se esqueça de me esquecer. Ou me esqueça de verdade, vamos combinar?

Empalho todo o sentimento.
Porque gosto de me enganar:
O que foi mesmo que aconteceu, hein?
Blackout, baby!
Desnuda, no escuro.

domingo, 8 de novembro de 2009

Ferrugem


De súbito o envolvimento ganha contornos diferentes. É preciso deitar com outro corpo para que ela perceba que a relação almejada é impossível. Acostumada a gritar que se basta e que os acontecimentos mundanos-cotidianos não a afetam, agora se sente fuzilada, um fuzilamento íntimo, que não cabe na sua idade. É um misto de ciúme; com razão de não mais ter. Um protesto solitário, onde não encontra hora, nem lugar.

Forjar todo um conteúdo, toda a maneira de existir, em prol de uma vida dupla. Há cumplicidade nos dois mundos, para ambos soletra amor [puro ¬ repleto de verdade ¬ um singular e um plural]. Questiona-se se o impossível é real. Dormindo, e de olhos arregalados o peito espalma diante de todo o sentimento. Quero-os para mim. O mundo expõe que não. Nada se adéqua, tudo quer sentido. Para quê o sentido se o amor esquenta todo o universo frio?

Não à interrogação!

Cego de luz, ele pode se dar e ser amado por corpos vários. Mas, congratular com tantos desejos é para ela alcançar a plenitude. Isso ela não pode. É incapaz: nós a impossibilitam. É a corda. Pede-se: acorda. Pálpebras se abrem. Ela, com quebranto, percebe que o tempo que se estendia para eles, não lá está. Foi-se. E com ele a alegria. Mas, para se caber dentro de si, é necessário ficar cheia de vazio, com falência de setor.

Educada para não ter porto quando de vez em sempre desejava ancorar, agora se ver de pé em um navio que deseja plataforma. Mesmo as horas e os minutos iguais não bastam para uma reaproximação. Não há forma. Não existe saída. Pesa não saber de seus beijos, pois já tinha se acostumado a respeitar e a desconfiar do seu silêncio. Já vivia na labuta que era a imersão de conhecê-lo.

Quem dera o tempo em que o coração só disparava de amor-temor. Agora a desilusão, o já da partida, a pressa de não mais sentir.

De volta à interrogação!

Como encará-lo sem que diariamente rogue a Deus que o coração não dispare?

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Tornar a frieza um aspecto exterior da sua sensibilidade.

Maria Karina

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Próxima parada...

Imagem de Luis Fanti

domingo, 18 de outubro de 2009

Crua


Cruel?
Revoltada?
Triste?
Nem...
Só hiberno.

Só.

Demorei.
Porque é primavera.
E eu desejava muitas flores e alegria.
Mas não tem sido assim.
Porque meus amores não são meus.
Porque o tempo é o meu senhor.

Viro para o lado, finjo que não é comigo e procuro não sentir para não sentir.
E cada segundo entra me minha pele como um espinho.
Ouriço!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Nascerão flores no canto do meu quarto...

Bendita a Primavera que começa!

A chuva que encerra o inverno, tantas gotas e tanta devoção ao sofrimento - passado!

Boas vindas à vida que brota, ao que é renovado, reciclado.

À alegria que toma conta do meu coração, ecoando a minha sede de felicidade!

Bendito o perfume das flores das meninas.

Lembranças da tia da escola que me pintava de flor nos idos de 88.

Os olhares e o sorriso da paixão leve.

Leve-me, Primavera!

Plena.

domingo, 20 de setembro de 2009

Sou aquilo que em mim não é


O sol começa a ficar tão forte no ser-tão que por vezes penso que a alegria não vai durar. É primavera, e o amarelo dos girassóis que deveriam ser vibrantes tem receio, priva-se de angústia. Hoje, o grande vazio que há em mim será o meu eterno lugar de existir. Gostava de adivinhar o prazer, mas tudo que parte de mim gera incomodo em quem nem conheço, em que nunca troquei palavras, em quem nunca cintilou. Querem me violentar para que eu desesperadamente me torne vazia e necessitada. Mas, a exigência da vida faz com que o condenável seja lícito, que o artificial se compreenda no sacrifício de ter o essencial.

Não chove mais por aqui. Tudo esbarra em ternura e tristeza. É tempo de partir, de lavar as mãos na água que nunca é a mesma. Há uma necessidade plena de adeus. Largar os olhos que de tão meus correm risco de não mais enxergarem. Hesito. Ir para nunca mais. Fico ocupada. Vagueio. Desejo de uma intertroca tão fluida e constante como a de existir. Passei do tempo em que me prometia viver, deixei há muito de ser uma promessa, não há mais tempo de continuar pedindo, tenho a coragem de já ter [ou não ter]. Esperança é sinônimo de adiamento. E não há tempo. O tempo só é pleno quando é presente.

Levaram-me para viver o agora. Era distante de onde as buzinas tocam. Era perto do asfalto onde nada nasce. Mas adentrando, chegando perto da casinha de porteira, tinha milho, feijão, açude e pássaros. E eles cantavam uma sinfonia de quietude. Ali as horas não tinham dono. Eram minhas, eram suas, eram de quem lá quisesse estar. Naquele período eu queria. E talvez ainda o quisesse no agora. Mas alardearam, dividiram o infinito numa série de finitos, inventaram um nome, um nome sem palavra.

Causaram o desencontro, embora, ainda, nos encontremos na semelhança. Mas por semelhança nos repelimos, não entramos um no outro. Sinto falta do que deveria ser eu. Anoitece, amanhece, e só o descaminho segue me guiando.

Maria Karina

Foto: Karina Zambrana

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Para ela, que está chegando...

Felizes somos:
que a primavera não seja só mais outra.
Mas uma PRÓXIMA E ETERNA!
Até o dia 22 de setembro!

Vincent Van Gogh - Giardino Fiorito