domingo, 17 de abril de 2011
Nocaute I
segunda-feira, 21 de março de 2011
Filosofias de botequim I: Benção pro amor

Dizem por aí que Deus fez o homem por amor. Antes de destruir tudo, a ideia era que ele cuidasse do mundo. Mas, o coitado andava por aí sozinho e cabisbaixo esquecendo do trabalho, aí Deus achou por bem lhe dar uma companheira.
O final a gente já sabe: os dois encontraram uma maçã, dormiram juntos e acabaram com o paraíso.
Desde então, o amor pede calma, muita calma. Se não der certo da primeira vez, junta os cacos e procura o amanhã.Porque a verdade é que a vida é muito melhor para quem ama.
Se pinta, se perfuma, abre as portas de casa e vai à luta. Que onde come um, cá entre nós, é bem mais gostoso quando comem dois.
No fundo, no fundo, todo mundo é “eu sozinho” rezando para ser “Nós juntinhos”.
Que o amor não nos congele com os seus olhos de medusa.
E fique claro: é preciso abrir mão de si mesmo pra entrar no outro. Desapegar dos erros, dividir os espaços, consertar os defeitos arduamente cultivados. Não é para qualquer um.
Como diz o funk, pra ser feliz no amor tem que ter disposição.
E aos que acham que amar não é pra eles, ou que o amor já passou, isso é história pra boi dormir.Vivem na memória machucados antigos, se privam de canções e poesias. Bebem o amor de ontem e acordam todos os dias com ressaca de passado.
Arredias, algumas pessoas vivem assim: de dia implodem o peito, e de noite, no íntimo, rezam para serem merecedoras de amor no amanhã.
Não sabem que o amor é irrequieto, passional, machista e feminista.
Dá um tapa na cara do homem e da mulher que o encara e pede tudo: o samba mais bonito, o choro mais sofrido. A alma de quem tem pra dar.
Não existe certeza. Achar o amor pode levar todo o tempo do mundo, uma vida inteira de desafetos, bailes de carnaval, encontros às cegas, beijos banais, horas de chat no par perfeito, rugas de tentativas e para alguns at’e os cabelos.
Mas, o que importa? Se quando duas vidas de juntam é capaz de mudar tudo.
Que alma é tão pequena que o seu feijão com arroz não mereça vontade de viver?
Que buraco negro cotidiano não quer ser domingo de sol?
Quando um amor verdadeiro passa é como se só dois pudessem mudar o mundo. São duas partes rumo ao tudo.
Novelas à parte, a verdade é que o amor dá trabalho. É preciso se reinventar, costurar histórias, misturar mal-passados com esperanças de futuro. E quando vem ao ponto, dá casamento.
Aos amantes arredios e aos incorrigíveis, com a benção do Chico, o amor avisa:
Não se atire do terraço, não arranque a minha cabeça da sua cortiça, não beba muita cachaça e não se esqueça de mim.
Nem lenda, nem crença, nem promessa.
O divino está em quem tem sede no coração, luz nos olhos e coragem para o amor quantas vezes for preciso. Iluminados sejam todos vocês e abençoados de amor até que a vida os separe.
*Texto lido no casamento de Guilherme Laux e Solange.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
biodança

Isolamento – o que por si só é meio inédito.
Sair hoje, barzinho – erro!
Filme, David Bowie – nem pensar!
Marisa Monte a cantar que a dor é minha a dor é de quem tem – talvez...
Bipolaridade ou início de depressão?
Calm down, não sejamos tão apocalípticos!
Lembra daquele desenho da bailarina?
É que fico presa nas minhas interrogações!
Se ainda existo, por que?
Invejo alguns sorrisos, mesmo sem saber (juro)
Se isso me consola, as melhores cartas são aquelas que nunca chegamos sequer a saber que foram escritas.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Matemática.

Minha própria cegueira,
minha armadilha.
Raiva, rancor e decisões precipitadas.
Minha própria armadilha,
minha armadura.
Escolhas, explicações e tudo mais que se pode alegar.
“O que fazer com nosso amor
Se andas com minhas pernas
O que fazer com nosso amor
Se vejo com teus olhos
Um mundo louco e tenso de paixão e medo”
Ecoa: Paixão e medo!
Deixo-me alagar.
Como rádioamadores,
em diferentes freqüências,
somos uma só sintonia
quando o assunto é amor.
(um só choro e tudo segue:
“nada será como antes”.
As coisas em uma nova dimensão.
Multiplicadas!)
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Bazófia
Desculpa se te chamei de "frenesi ermo"...Sério!
É que às vezes a pupila se adianta
Masca o freio.
E vai ser difícil pra mim
Quando você me olhar com olhos de
"E você sempre tão cética quando eu vou às estrelas"
Você busca a protagonista do seu filme
Mas, eu sou a voz em over
Nada de ponto final, só vou virar de costas.
Você sai um pouco do quarto, depois volta? Mesmo?
Meus cachos secos e cansados sabem:
Vou ser eternamente condenada ao reino dos amores perdidos
E vou te amar pra sempre por isso
Você vai virar o déjà-vu que nunca acontece...
Você precisa saber:
Eu como mal, tenho medo do tráfego
E sinto saudade de casa na hora do almoço
Eu falo muito.Muito mesmo.Muita opinião
Agora eu vejo: muito ruído, pouco latim
Me sinto transgênica
Tenho que provar o tempo todo que sou coisa
Durmo demais.Apareço demais
Derramo vinho na roupa
Esbanjo.
Esqueço.
Vontade de existir só em silêncio
Íntima de mim
Eu bebi a gente ontem e acordei com ressaca
Te perdi no buraco negro do cotidiano?
Nosso feijão com arroz se abalou?
Não sou capaz de juntar as roupas íntimas e imundas?
Tenho medo de nunca sair de mim
Vendo o "deadline"do meu ânimo me assustei:
Você ainda é o axioma do meu dia
Então, me dança até o fim do romance.
Vou me dessentir de tudo pra entrar em você
Queria ser mãe de mim e evitar os erros
sábado, 5 de junho de 2010
Brisa
Por mim passavas
– a água mais pura –
e eu sofri sede.
[Manoel de Barros]
Queria ter nascido árvore. Não rebentar de tristeza e nem parar quando o susto pede para correr. Confio poucos nos homens, sempre me pareceram invejosos e um tanto arrogantes. Gosto mesmo é de bicho, seja lá ele qual for. Mas vejo com espanto, que mesmo inundados de pureza, ainda assim, sofrem com dores e chagas que eles nem sabem de onde vêm nem por que vão. Só se encolhem e esperam que ela se vá ou que um humano “semi-bicho” [aquele que faz da dor alheia a sua dor] acolha-o e desvie a sua agonia. Penso na Brisa, no seu cheiro, nos seus olhos levemente tristes e oblíquos. Procuro uma resposta para os males e ela se fecha em uma gaveta sem chave. Mas quero crer no bem, na recuperação e na paz que virá num breve depois. E na concisão de um átomo, sem ninguém se aperceber, continuar a envolver ternamente dois seres que de tão diferentes se tornaram UM.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Espelho
As cinzas de um sábado à tarde.
Quando a saudade aperta, o desespero se aflora.
Dor que é dor. Física, emocional, percebida pela luz verde.
Da lua que, por acaso, é cheia.
Cabeça que dói, nesse misto de mal-estar, que ora está ora não.
Estagnada.
Não há desejo,
há lembrança.
Construção alguma existe.
Mistério e letreiros tricolores piscam a incerteza.
S de tantas palavras.
S de solidão.
Sábado.
Esvaindo.
Nas cinzas do seu cigarro.
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
Ó vida futura! Nós te criaremos.
Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.
Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.
terça-feira, 30 de março de 2010
“E se você fecha o olho a menina ainda dança. Dentro da menina ainda dança...”
“... e continuará a dançar, ela, até sua sandália quebrar. E o seu corpo cansado, deitar e cair numa imensidão aguda de uma felicidade inconstante.”
Aloma Galeano
Desbrava silêncios.
Transborda desejos.
O abre e fecha do obturador:
clicando os olhos da menina (piscados).
A boca que é só – risos.
Orelhas alargadas ouvindo o alagamento.
Que o imperfeito é mais que perfeito.
Na medida errada para dar certo.
Tudo WellDone, baby.
Que não se vê, mas que sente:
pasma pelo ineditismo intenso e gritado!
Ah, menina que dança,
se faltam versos,
sobram redudâncias.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Montagem

Assim, mambembe de mim,
rastejo submissa.
Em um surto de realidade – CHOQUE de realidade.
Non-feedback!
Non-complicity!
Non-fidelity!
Não.
E eu digo Sim, sim, sim.
Que é amor e bem querer.
Que é tudo que desejo agora:
um quadro surreal ou uma cena dramática.
Você como personagem principal.
E tudo que pode ser reeditado...
domingo, 17 de janeiro de 2010
(***)
Olho olhos
Brilho brilho
Brilho fosco. Fosco brilho?
Fosco Fosco...
**
Dança menina.
Beija.
Menina fuma bonito.
Me beija feliz mais eu.
Mas “eu não vim aqui para desistir agora”.
É, tem sentido não.
Sorry.
Tem perdão, tem?
***
Dê -
Desespero -
Desperto –
Só.
Sofro.
Ora, por um ato solto.
Já por um ato falho.
Sim pela palavra lançada.
Dos detalhes.
Micro, miúdos:
grande amor.
****
Qual é a minha parcela de culpa?
Quanto me resta?
Amo, assim sem disfarçar.
Se eu sei amar?
Toda errada, sei.
Até não saber mais o que isso é.
Mas sou.
Sua e amo.
Até o último suspiro.
Medo!
Reflexão: e ontem e amanhã?
E hoje?
Que monstro que vou ser mesmo?
A culpa.
****
Sou febre.
Corpo, tesão.
Sou má.
Insegura e desconfiada.
Bê-á-bá.
Sou blá-blá-blá.
Para ser só, só não sou.
Seu número.
***
Começo homeopática.
Gota a gota, a me destruir para você.
Como um dominó, com suas pecinhas, construo uma figura.
Depois derrubo a primeira peça, que derruba a segunda, a terceira e
Oh, efeito dominó.
Trá.
Resta 1.
Quero remontar tudo.
Sozinha, não consigo.
Quer se indispor?
Ou se dispõe a me ajudar?
Esquece, deixa para lá.
** Mazô **
Tá vendo aquele caco de vidro?
Pega, vem e me corta.
Mais e mais: me bate na cara.
Minha cara.
Me morde.
Até arrancar um pedaço meu.
Deixa em mim a cicatriz maior.
Vem com fogo.
Me marca.
Pode me beijar agora?
**
A menina ainda dança
com suas armas próprias
dança bem como uma boa filha
dança e canta como ninguém.
Encanta a menina.
Deslumbra.
Me preenche até a borda.
Pinta e borda essa menina.
*
Punhal (?)
Apunhalada ao lado.
Alada voa.
Te ofereço as minhas migalhas limitadas.
Digo, imitadas.
(***)
domingo, 7 de junho de 2009
O velho e a flor na praia de Boa Viagem
Qual seria a outra primavera?Existiria?
Qual estação a definiria?
Teria flores?
Não quero outra primavera, quero a de agora.
Seguro a flor, com espinho e tudo,
e mesmo que sangre, mesmo que a ponta entre em minha carne,
continuarei apertando.
Não quero mais sentir calor no inverno ou frio no verão.
Ser hipnotizado ou deixado de escanteio:
não mais.
Entre fábulas, liras, poesia e amores,
vou olhar, não com os olhos.
Terei o poder de sentir a sua essência na escuridão.
O que se passa nessa estação, flor, ainda não tem explicação.
Não é nada pegajoso, nem é amor banalizado.
É musica e sensibilidade:
“Meu amor, eu não esqueço,
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você” (Para um amor no Recife – Paulinho da Viola)
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Inventando para não observar-se

Lágrima, lamento e fome. Sem nada entender, resolveu como de costume se esconder. E a partir daí voltou à cidade de sua mãe, que mais parecia madrasta. Debruçou-se e prometeu ao mundo ser aguda e eloquente. O novo neste momento lhe apetecia. Mas, às escondidas chorava o amargo do inventado amor. Afinal, ela não o amava. Dissimulava-o para si. Às pressas inventou um púbere amor. E foi todo valsa. De noite, paredes com cal e rodas de viola, afinal, ele era um exímio tocador. Ela julgava amar mais que outrora, já que o violeiro fazia suas desafinadas cordas anatômicas tremerem. E agora era toda: sexo, atitude e excitação. É isso mesmo, ela de cá sentia suas costas largas em rebuliço.
Alegrias diurnas? Esqueça. O rapaz não se parecia com o anterior. Já nascera economizando gestos e com muita intimidade com o silêncio. Amava, era fato. Mas era só. O sentimento que brotava em peito puro e com gestos simples não o diminuía. Ao contrário, lhe impulsionava para mais. E assim, voltava o receio dela. Medo de perder, de ser comprada, de ser confundida. Corria de medo. Parava, queria voltar, mas não era confortável. Ele não lhe trazia o impossível. Tudo nele era real. Os desejos eram satisfeitos. A vida, mesmo intolerável, era sorvida em gramas, com ou sem pudor, com ou sem etiqueta. Ele estava pronto. Ela ainda não.
Em dois dias ela resolveu tudo, como numa equação matemática. Abraçou novo corpo. Selaram as mãos e ponto. Um novo casal se formou. Ele, duro como baraúna (madeira dura que nem ferro), esboçou uma reação: chorou. Pouco adiantou, ela já estava preterida. O fácil já estava lá, não havia motivos para padecer. O inesperado não lhe é de bom grado, tanto que não namora a idéia de correr o sagrado risco do acaso, gosta das coisas milimetricamente traçadas. E o novo dança neste compasso. Parece que vai ser sempre assim. Esquentando no calor e tremendo no frio. Quem dera um dia pudesse dar uma forma ao que não existe, ter a coragem de usar seu coração desamparado, ou mesmo, sair nua na chuva, sem temores e sem medo de se arranhar. Pois só assim conseguiria, tecer sonhos e pintar de preto-e-branco o dia já inventado.
domingo, 24 de maio de 2009
Ah! Bruta flor do querer
Se eu sei o que quero?Se eu sei o que quero com você?
Se sei?
Não exatamente...
Sei que quero ser como todos os mortais: os estudantes de cursinho, os cobradores de ônibus, jornalistas ou funcionários públicos.
Ao sair do trabalho, quero te ligar ainda descendo as escadas, ofegante, respirando paixão e saudade.
No caminho de casa, ouvir qualquer música e ter certeza que é a nossa música.
Quero que ilumine os meus sábados e domingos com a sua presença e programação.
Na pior das hipóteses, ir à missa. Você já me disse que acha que me faria bem.
Quero dormir abraçada contigo e acordar mais abraçada ainda.
Sentir meu braço adormecido por ser sua almofada, me incomodar, mas não abrir mão de sentir o seu cheiro assim tão perto.
Numa mesa de bar com vários amigos, conversando besteiras e rindo, quero saber que do outro lado da cidade tem alguém, que independente de onde eu esteja, vai estar lá. E que sempre que eu pensar, vou sentir um friozinho por dentro, sabendo que mesmo distante estarei na sua presença.
Na padaria, no carro ou no meio da rua, quero ter uma vontade violenta de te beijar. E te beijar, assim que possível for.
Acho que sei o que quero.
Você.
terça-feira, 28 de abril de 2009
A COR E A SOMA DOS DIAS

De quando em quando as pessoas da cidadezinha comentavam sobre a maneira em que aquele sentimento se desdobrava. Cogitavam um namoro às escondidas, uma amizade com demasiado interesse, e outras coisas advindas de pessoas que residem no interior. Não é que esses indivíduos que moram em lugares pequenos sejam dados à intriga, mas talvez pelo ócio, eles fiquem suscetíveis aos fatos que acontecem ao lado.
Naturalmente essas maledicências não afetavam o ir e vir dos dois. Brincadeiras eram diariamente realizadas, a tal ponto que talvez isso não tenha passado de subterfúgio utilizado, inconscientemente, para prolongar as horas que atravessavam juntos. Gastavam horas a fio entretidos em algum jogo para evitar o cruzar de olhares, ambos com receio que isso pudesse de alguma maneira afastar um do outro.
Os dias se passavam sem se darem conta, e mesmo o fato dela morar em outro estado não trazia embaraço nem inquietude aos passos. Parecia sim, que essa era uma maneira de saber que a distância era por demais pesada e que a separação se tornava cada vez menos tolerável. Para ela, as coisas ocorridas longe do menino, de sorriso fácil, perdiam significativamente o sentido, como se as paisagens e as emoções longe vividas não trouxessem alegria imediata ao coração.
Como eram apenas bons e novos amigos, flertes e namoros eram desenhos constantes na vida do menino. Ele era belo e, portanto, seus cabelos desgrenhados e sua fala, que continha um sotaque peculiar da região, eram atrativos a mais para a sua ascensão entre as garotas daquela cidade do sertão. Isso decididamente causou certo ciúme na menina. Afinal, as horas que podiam ser compartilhadas entre os dois, eram atiradas junto com bocas e desejos a uma outra pessoa, que nem era tão especial, e que na maioria das vezes era alguém minimamente atraente, ou seja, não existiam essas coisas todas especiais que são necessárias para um e outro ficarem juntos.
Para tanto, era necessário que as coisas fossem, de certa forma, antecipadas. A menina que sempre fora contida na vida cotidiana e abalada em seus sonhos, resolvera sem conjugar alguns verbos declarar sua falta de temor ao frio. Medo que desde os seus sete anos era constante: gélida sombra, álgida aparição, glacial fantasma! Todos os desassossegos atrelados a uma só imaginação.
Mas chegara o momento. Até a noite de terça-feira era quente, e a bebida servia de fundo para os versos impronunciáveis! Insistência para se ouvir o que não se sabe bem se desejava naquele instante ouvir. Pausa. Mais uma vez, seguidas perguntas que remetiam a uma mesma resposta. Mas como responder a um questionamento que vai descobrir a alma, e que há tantos anos está encoberta e secretamente guardada? Desejo de saber mais. Neste momento não dava mais para recuar e “ignorar tudo para não ter o desejo de saber mais”.
Passado instante, o menino diante dos lábios da menina descobre que o amor de certo morava aí. Seguindo o balançar da rede, enfim o mundo abre os olhos. Vontade de cheirar, tocar, beijar o que há muito não era acessível. Na confusão e na calmaria corpos e bocas se misturam até o clarão do dia. Felicidade: placa fixada ali!
Dias, noites, meses e anos unidos. Água de um rio que deságua mar... Vento que envolve e rebenta redemoinho... Amarelo que brinca com mil tons para aclarar sol... Chuva por trás dos montes que traz tempestade... Tudo misturado, confrontado e permutado para somar: Dois. Ternura que não se adjetiva. Remate: Solidão que não se substantiva.
Desencontro, arranque, partida e o fim. Ah, apenas saudade de olhar a flor do jardim agora protegida por muros altos.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Mardi Grass
E quando passar ou chegar perto do carnaval, eu sempre vou lembrar de você, como meu grande amor de carnaval. Uma história que vou falar para meus filhos e até para os meus netos, pois sempre que chegar perto de um carnaval, vou me lembrar de você como meu grande amor e SEMPRE vai ser...
Você sempre vai ser uma pessoa muito especial pra mim e isso é uma forma de você saber que eu não te esqueci.
Eu estava meio na duvida de te escrever e você não gostar, sei lá, mas eu peço desculpas se falei alguma coisa demais.
Te desejo toda felicidade do mundo. Um grande beijo...
M."
Seus olhos verdes cintilavam como faróis na barra.
Sorriso largo e o entorpecer de uma buzina.
Risos.
As canções que ficaram: pedaços de você.
Estraçalhados.
Não sou capaz de te amar.
Grata pela sinceridade, inocência e intensidade.
Mas sou só carnaval!
Swing de Campo Grande – Novos Baianos
domingo, 14 de dezembro de 2008
Au Revoir - Sou mulher de mandar recado!!!
Primeiramente, gostaria de me desculpar pelo uso do verbo "cagar". Não foi muito gentil da minha parte. Até grosseiro. Já falei por telefone, inclusive as desculpas foram devidamentes aceitas. Fico grata. Não quero que você fique com uma imagem ruim de mim. Tampouco, pretendo destruir ou desmistificar tudo que aconteceu e foi falado nesses últimos meses. Talvez o nosso amor seja um castelo de areia mesmo. Ou uma criação de duas almas especiais e carentes.
O fato é que agora os seus defeitos já se sobressaem. Não aguento o seu descaso e o personagem de coitado. Deve ser a paixão que está passando.
Sugiro que se jogue no que valha mais a pena para você, mas não tenha pena de ninguém e nem tente viver duas coisas ao mesmo tempo, porque isso ultrapassa todo significado de crueldade existente na face da terra. Dramas à parte, tenho para mim que já deixou a sua escolha clara para mim. E, em cada escolha, uma renúncia. Sinto muito!
Mesmo não conseguindo me desconectar de você, pois meus pensamentos ainda estão por aí e você ainda se faz presente em meus sonhos, fico cada dia mais abalada por não conseguir também fazer parte do seu cotidiano.
Outra coisa: te aconselho a nunca falar que vai tentar fazer algo, mesmo quando a intenção é boa, mas a tendência é não fazer. Quem não quer arriscar, não colhe as flores do prazer. Minha decisão de hoje é tentar me desvencilhar da prisão que a minha paixão por você se tornou. Em certa ocasião de despedida, você cantou essa pedra pra mim. O que eu quis dizer é que eu não preciso ser conivente com a sua relação atual e com o que está acontecendo de sobrenatural para você.
E nem cabe a mim colocar meu time em campo quando assim for conveniente. Sentimenos bons e ruins estão misturados. Tome cuidado com as palavras que diz e jamais tente prender os outros com elas. Mesmo em estado de amadurecimento, ninguém nunca está preparado para certas brincadeiras quando se tem sentimento.
Siga.
Aos poucos, vamos encontrar os caminhos e as linhas para a mais bela e pura amizade. É nessa harmonia que penso agora. Tenha uma ótima semana.