domingo, 7 de junho de 2009

O velho e a flor na praia de Boa Viagem

Qual seria a outra primavera?
Existiria?
Qual estação a definiria?
Teria flores?

Não quero outra primavera, quero a de agora.
Seguro a flor, com espinho e tudo,
e mesmo que sangre, mesmo que a ponta entre em minha carne,
continuarei apertando.
Não quero mais sentir calor no inverno ou frio no verão.
Ser hipnotizado ou deixado de escanteio:
não mais.

Entre fábulas, liras, poesia e amores,
vou olhar, não com os olhos.
Terei o poder de sentir a sua essência na escuridão.

O que se passa nessa estação, flor, ainda não tem explicação.
Não é nada pegajoso, nem é amor banalizado.
É musica e sensibilidade:
“Meu amor, eu não esqueço,
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você” (Para um amor no Recife – Paulinho da Viola)

2 comentários:

ousia disse...

Raquel é como um sentimento intenso que nos envolve e vem sem nome e explicação.

Ela é o avatar disso, em contingência.

Raquel é o porvir.

Inevitável.

Quincas Borba disse...

Prefiro o inverno.