domingo, 17 de janeiro de 2010

Depois da Tempestade...


"A chuva cai.
Os telhados estão molhados,
os pingos escorrem pelas vidraças.
O céu está branco,
o tempo está novo,
a cidade lavada.
A tarde entardece,
sem o ciciar das cigarras,
sem o jubilar dos pássaros,
sem o sol, sem o céu.
Chove.
A chuva chove ligeira
nos nossos olhos e molha.
O vento venta ventando
nos vidros que se embalaçam,
nas plantas que se desdobram.
Chove nas praias desertas,
chove no mar que está cinza,
chove no asfalto negro,
chove nos corações.
Chove em cada alma,
em cada refúgio chove;
e quando olhaste em mim,
com os olhos que me seguiam,
e enquanto a chuva caía
no meu coração chovia
a chuva do teu olhar."

Novembro 1963 - Inéditos e Dispersos - Ana C. César

Um comentário:

Deize Almeida disse...

Muito lindo...me lembrei de uma citação de um filme: "me ame pouco mas me ame por muito tempo".