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terça-feira, 28 de julho de 2009

É TUDO VERDADE


Ainda me iludo.
Finjo que te esqueci.
Rumino a nossa história:
doses homeopáticas de paixão e desespero.
“Tudo que poderia ter sido e não foi”
“Tudo que foi mesmo sem querer”
Acordo. Penso que o sonho não acabou.
Ou será que o fim não passa de um pesadelo?

Minto.
Sem querer, rebobino.
Nosso filme em branco e preto:
edito.
Fica o dito pelo não dito.

Multiplico o meu lirismo.
E não agüento mais.
Uma hora, te amo loucamente, outra, te odeio demais.
Ademais, não sei de mais nada.
Esse filme já perdeu a graça faz tempo...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

outros carnavais...

(Paul Cézanne. Pierrot and Harlequin. 1888)

As Máscaras
(Menotti Del Picchia)

O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...
e a Pierrô, minha alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu...outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar
e , em verdade, toda razão do amor
está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Ausência

"Entre cores e rancores,
todos se salvaram"

Contra rejeição, um remédio sem igual:
Puta!
E esqueça qualquer tipo de incomodo ou humilhação.

Só a puta - safada - guarda o melhor sorriso pra você.
Aquele mesmo sorriso que você não permite que ela dê publicamente, pois sente ciúmes.

Doma seu fogo,
entre tapas,
se enlaça,
entre, ao lado, em cima, do seu corpo.

Pacientemente,
respira putaria,
e te ama.
E você, pelo resto da vida, com sua puta impregnada n'alma.

sábado, 10 de janeiro de 2009

encenação

Em dia de lua cheia,
minguo.
E transbordo.
Quieta, penso, e assisto a parede branca.
Coloco cor onde não tem, te projeto no teto.
Em dia de lua cheia,
me transformo,
fico obcecada.
Vejo as suas fotos e, no seco, faço uma faxina geral.
O teto, o céu, a lua. Na frente, só neve.
Congelo a cena.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Quando o Carnaval chegar...


Pierrot Apaixonado
(Noel Rosa - Heitor Dos Prazeres)
Um pierrot apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou no botequim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: "Pierrot, cacete!
Vai tomar sorvete com o arlequim!"

Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrot aconteceu assim:
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Sei lá (a vida tem sempre razão)


... Não existe ruptura sem vermelhidão nos olhos.
Não existe ruptura sem brilho nos olhos ...


"Na força dessa beleza é que eu sinto firmeza e paz
Por isso nunca desapareça
Nunca me esqueça
Que eu não te esqueço jamais"

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

De repente do pranto fez-se o riso

O ritual.
O alvo, o negro, a índia.
Eu e você:
a pressa para amar.
Encontro, conexão.
O fim antes do começo.
Mal te conheço e já te amo loucamente.
Por mais 24 horas, e 24 horas, e 24 horas...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ansiedade

"SE EU FICAR NERVOSA, VOCÊ NÃO NOTA... SE MINHA MÃO GELAR, FALTAR PALAVRAS..."

Amaralina via de lá

Lágrimas de assustar derramava ela

A assombração a piar

Naquela sentinela via assoviar

Sopro cor de anilina de cor que não se via via Amaralina

A tal menina de águas revirar

De fogo ia criar

De luz uma passarela

Lá da janela

Cor de anilina

Cor que não se via via Amaralina

Cor de anilina de cor que não se via via Amaralina.