terça-feira, 1 de setembro de 2009
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
“Os meus hábitos são da solidão, que não dos homens”
Lentos dias e nada de chegar. Ele não volta. É a punição! Sucumbe e já não há tempo, as ânsias coloridas ainda não se acinzentam: tonalizam o encontro. Procura - sem respostas. É o resultado vexante do clandestino. Pesa, aliás, o tom de possuir, produz-se uma angústia difícil de definir. Amor e dor, amor e sofrimento. O mundo da punição e do sofrimento não foi inventado por DANTE². É o inferno com nove círculos e o purgatório com sete degraus (e em um parêntese o Paraíso).
Mortes continuas se assemelham dentro do fundo. Então, o lícito é afastar-se mesmo que para logo, em seguida, se aproximar. Solicita saída: porta lacrada. Recomeça, redimensiona e tudo é ausência de matiz. Passa, passo, paciência. As horas de ontem já foram anuladas. Angústia: o que agora nele é exposto é o que nela se esconde.
Sua substância insossa, insípida, infantil e inocente lhe era dada mesmo quando a demanda fora sair, correr, esconder. Estava em suas mãos, já frias, porém brandas, ao costume da dor. Não havia como jogá-la ao longe, merecia cuidado, zelo, mesmo no pecado. Mas o ficar, o haver, já tinha traçado a linha, já havia dado as justificativas para o contato com a expiação, como um carimbo com letras garrafais sinalizando o PROIBIDO.
Ficou-se então com o momento presente, período que não há promessa, tempo que é, e que está sendo.
¹ Referência ao livro “As Flores do Mal” (Les fleurs du mal) do poeta francês Charles Baudelaire.
² Alusão à "A Divina Comédia" que foi iniciada em 1308, mas só concluída ao final da vida de Dante Alighieri.
Maria Karina
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
“O perigo muda mesmo de endereço”
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E eram folguedos, bombas, rojões. Forró que de braços e abraços se comprimia. O cheiro a incitava, perspectiva para mais. Não podia, recuava. Traçado de bocas jogadas na madrugada. Ele as possuía, as levava para seu quarto sem portas, sem janelas, sem alarde. Por vezes anulava as horas de ontem, mas as escolhidas mantinham intacto o gosto do verde sal.
Colhia as flores, mas repentinamente o cheiro característico de algumas delas se desagregava. Portanto, um enjôo súbito o percorria. Cansaço do nada. Precariedade sem palavras. Voltava a si e de pronto recomeçava: reclamando-se, afastando-se. Queria - já não era negável – ela supunha. Sabiam os dois.
Vegetavam no olhar, escapavam nas premissas, parecia impossível. Por vezes chegavam-se ao desconforto, se despediam. Para passar os dias distantes, ela desconfiava do silêncio e ia remontando paisagens. E ele se aguava de mar, um cheiro de maresia lhe invadia. Levou subitamente o cheiro para ela. Ela o recebeu na estação. Um novo olhar, variada forma e um indefinível beijo a persuadiram num lento acúmulo de séculos. Rios levados ao mar.
Ele tinha fome de ser outro. Ela de mais uma ser. Distraídos, ficaram submersos. Já não podiam mais. Emudecidos, vestiram em silêncio.
terça-feira, 28 de julho de 2009
É TUDO VERDADE

Finjo que te esqueci.
Rumino a nossa história:
“Tudo que poderia ter sido e não foi”
“Tudo que foi mesmo sem querer”
Acordo. Penso que o sonho não acabou.
Ou será que o fim não passa de um pesadelo?
Minto.
Sem querer, rebobino.
Nosso filme em branco e preto:
edito.
Fica o dito pelo não dito.
Multiplico o meu lirismo.
E não agüento mais.
Uma hora, te amo loucamente, outra, te odeio demais.
Ademais, não sei de mais nada.
Esse filme já perdeu a graça faz tempo...
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Cada bobo tem o amor que merece
Clarice Lispector

Chico Buarque
Tinha cá pra mim
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Contemplação
Amo-te!
Crio respostas,
desejos,
amores,
dores,
significados.
Contemplo!
É estranho.
Porque parece um tipo de compromisso.
Que não sei se existe.
Mas o que é dito não é banalizado.
E te roubo mais essas palavras belas.
Perdoa, perdoa...
Te amo:
Na minha vida real!
O amor e o tempo II
Relações que se mostram voltadas diretamente para os nossos quatro anos de encantos e descobertas. Aprendo ainda hoje toda a dificuldade de se relacionar e todas as barreiras que o “tempo” insiste em colocar em nossos caminhos. Trazendo muitas vezes insegurança e tentando misturar nossos sentimentos, como se fosse uma prova de fogo onde quem está na frente da arma é você.
Esse tal “senhor das horas” tem poderes que não somos capazes de dominar. Ao “tempo” em que nos embaralha, em sua maioria, desembaralha também, tudo dentro de um certo “tempo”, que temos por obrigação de esperar, e esperar mais e mais, até que o “tempo” resolva por nós o que não temos condições de resolver em tão pouco “tempo”.
Falar do “tempo”, de amor e de você, me levaria sem dúvidas muito “tempo”. Colocar em palavras todos os nossos momentos juntos: as muitas alegrias, algumas tristezas, as lágrimas muitas vezes inevitáveis, as brincadeiras, as viagens, as trapalhadas (risos), toda essa mistura de sensações que petrificou nosso amor, e que nos faz permanecer com o desejo de sempre dar mais um passo a frente.

Jarbas Nogueira
