Lilás Malbec - óleo sobre tela - 70X60cm - Patrícia Moreira
”....E SE UM DIA, NOS DEGRAUS DE UM PALÁCIO, NA ERVA VERDE DE UMA VALETA, NA SOLIDÃO BAÇA DO VOSSO QUARTO, ACORDARDES, JÁ SÓBRIOS, PERGUNTAI AO VENTO, À ONDA, À ESTRELA, À AVE, AO RELÓGIO, A TUDO O QUE FOJE, A TUDO O QUE GEME, A TUDO O QUE ROLA, A TUDO O QUE CANTA, A TUDO O QUE FALA, PERGUNTAI: "QUE HORAS SÃO?" E O VENTO, A ONDA, A ESTRELA, A AVE, O RELÓGIO, RESPONDER-VOS-ÃO: "SÃO HORAS DE VOS EMBRIAGARDES!" PARA QUE NÃO SEJAIS OS ESCRAVOS MARTIRIZADOS DO TEMPO, EMBRIAGAI-VOS SEM CESSAR."
DE VINHO, DE POESIA OU DE VIRTUDE, À VOSSA ESCOLHA.
Por mim passavas – a água mais pura – e eu sofri sede. [Manoel de Barros]
Queria ter nascido árvore. Não rebentar de tristeza e nem parar quando o susto pede para correr. Confio poucos nos homens, sempre me pareceram invejosos e um tanto arrogantes. Gosto mesmo é de bicho, seja lá ele qual for. Mas vejo com espanto, que mesmo inundados de pureza, ainda assim, sofrem com dores e chagas que eles nem sabem de onde vêm nem por que vão. Só se encolhem e esperam que ela se vá ou que um humano “semi-bicho” [aquele que faz da dor alheia a sua dor] acolha-o e desvie a sua agonia. Penso na Brisa, no seu cheiro, nos seus olhos levemente tristes e oblíquos. Procuro uma resposta para os males e ela se fecha em uma gaveta sem chave. Mas quero crer no bem, na recuperação e na paz que virá num breve depois. E na concisão de um átomo, sem ninguém se aperceber, continuar a envolver ternamente dois seres que de tão diferentes se tornaram UM.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
"... em torno dele soprava o vazio em que um homem se encontra quando vai criar. Desolado, ele provocara a grande solidão. (...) E como um velho que não aprendeu a ler ele mediu a distância que o separava da palavra."
Mesma: casa, cama. Mesmos laços. Filmes, mais gargalhadas. Lágrimas compartilhadas. Independentemente cumplices. De amor, de histórias, de toques e olhares. Trocas nessa vida.
Eram. Erraram. Subitamente estranhos. Sem mais cheiros, noites em claro, choros e lua cheia. Estranharam-se. E depois... Mais nada!