domingo, 24 de outubro de 2010

Incompleta

Quando o algo é visceral
evito demonstrar.
Peso, enjaulada,
na insensata mania de poetizar o concreto.

Ah, não sou? O que escondo.
Não sou o que planejo,
porque sinto raiva e vaidade com frequência.

As palavras soltas
e aleatórias
que me corroem toda,
e nem chegam perto
de externar
o que
realmente
sinto.

Respiro e.

Batuco sei lá o quê, enquanto personalizo mais um quebra-cabeça.
Procurando a forma mais eficaz de chamar a sua atenção.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Aqui, plutóides.

No exato momento que o “se” passa de dúvida a certeza,

os pneus do carro cantam a raiva acumulada pelo ciúme,

o coração aperta o medo,

o medo acelera a madrugada – território temporário imaginário, no qual as pessoas perdem a capacidade de ser e sentir. Nem preconceito existe. As coisas acontecem, assim, “sem mais nem porque”.


A obrigação de falar o que não se fala e não tem explicação.

O silêncio como única resposta.


Os corpos que não esfriam.

O perfume que tarda a evaporar...

(A manhã chega em doses homeopáticas).


Instant moment – ligação e reencontro.

Porque, certamente, a redenção vem da verdade.

E liberdade é o outro nome do amor...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

...pressentindo o fim


“Uso a palavra para compor meus silêncios”.
[Manoel de Barros]


Só enxergo agora o que venho ouvindo há cerca de um ano. Como uma cantiga triste que ouço por meio de um disco riscado. A música que entala na vitrola diz que o amor só resiste na verdade. Mas não adianta tê-la como referência se o par (o um – agora sem o outro) diz que não acredita. É uma espécie de choro sem lágrimas. Li certa vez, que as pessoas só se convencem com seus próprios argumentos, e isso se encaixa perfeitamente aos homens ditos racionais.

É imprescindível gostar, mas é salutar saber o momento do fim. Nada subsiste sem amor, quiçá sem confiança. É suportável ouvir que o amor que encantava e que cotidianamente brotava do chão seco ou úmido do sertão acabara, morrera de cansaço ou de morte finda, contudo, escutar que tudo que se contou é pautado na mentira, só pode ser este um modo em forma de trama para justificar o fim.

- De que vale esconder a verdade se ela se impõe à luz do sol, brilhante e vital?

Não acredito em nada que não seja pautado no respeito. As ideias, os fatos, o riso e o choro de um amor fadado encerram-se aqui, como um lábio seco que espera o beijo que nunca chegou.


Maria Karina

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Malabarismo.

“O bem de terra é aquela que chora
Mas faz que não chora quando a gente sai”
O Bem do Mar - Dorival Caymmi

Me calo.
No final, só existem coitados.

Kamikaze de amor.
Malabarista de arte.
Saio catando o que restou.
À procura da capacidade de sentir. E de sentir muito.

Apesar da insuficiência, fico assim, meio futuro do pretérito.

Com a certeza que chegaria.
Onde?
Sei lá.
Mas iria.
Se...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Lavra, dio!




Com medo de matar a poesia, tomei uma pílula
Deixa para que me reiventasse

Rezei para que nem todos os dias fossem quadrados
E antes mesmo que o corpo ereto virasse horizontal de cansaço
Sentei e encarei a rotina.

Fez-se o duelo.
Como uma mãe loba disse:
"vá te embora hora vazia.Que aqui nesse peito há sempre poesia".

Que venham as contas do fim do mês
E o tempo que passa e foge a minha lucidez
Que no fundo dos meus olhos, há entranha de mundo
E sempre se chora a saudade do tempo vadio

Aqui na cidade, não se ara a terra
Mata os relógios
Tempo é sinônimo de dinheiro

No imundo dos homens
Já não gosto tanto do que escrevo.

Sonhando acordada, ou trabalhando deitada
Durmo à noite pra viver
Visitar a praia em frente
Distante vizinha que nunca me vê

A pessoa nasce para o que é?
Porque arredia de mim
Me misturei por inteiro

Agora faço matemática com as palavras
E erro a soma
Será + ou - o que me consome?

domingo, 15 de agosto de 2010

Pequena, pequenos... na imensidão.


“Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço”
Ana C. César

Detalhes – que eu não esqueço...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Bazófia


Desculpa se te chamei de "frenesi ermo"...Sério!

É que às vezes a pupila se adianta

Masca o freio.


E vai ser difícil pra mim

Quando você me olhar com olhos de

"E você sempre tão cética quando eu vou às estrelas"


Você busca a protagonista do seu filme

Mas, eu sou a voz em over


Nada de ponto final, só vou virar de costas.

Você sai um pouco do quarto, depois volta? Mesmo?


Meus cachos secos e cansados sabem:

Vou ser eternamente condenada ao reino dos amores perdidos

E vou te amar pra sempre por isso


Você vai virar o déjà-vu que nunca acontece...


Você precisa saber:

Eu como mal, tenho medo do tráfego

E sinto saudade de casa na hora do almoço


Eu falo muito.Muito mesmo.Muita opinião

Agora eu vejo: muito ruído, pouco latim

Me sinto transgênica

Tenho que provar o tempo todo que sou coisa


Durmo demais.Apareço demais

Derramo vinho na roupa


Esbanjo.

Esqueço.

Vontade de existir só em silêncio

Íntima de mim

Eu bebi a gente ontem e acordei com ressaca


Te perdi no buraco negro do cotidiano?

Nosso feijão com arroz se abalou?

Não sou capaz de juntar as roupas íntimas e imundas?


Tenho medo de nunca sair de mim


Vendo o "deadline"do meu ânimo me assustei:

Você ainda é o axioma do meu dia

Então, me dança até o fim do romance.


Vou me dessentir de tudo pra entrar em você

Queria ser mãe de mim e evitar os erros