
Ninguém chega a resoluções definitivas. A água parada guarda o cheiro do que ainda nem se pensou. São baterias de exames que demoram a resultar na paz esperada por aqueles que só aprenderam a amá-lo. Sentimento que não poderia ser outro já que o ser que o inspira é dotado da mais branda ternura, da mais ampla bondade.
Sábio que pouco fala. Silêncio que guarda constante doçura, que de tão doce ficou impossibilitado de se alimentar com açúcar. Rês, mato, cancela, chuva e sol, tudo junto para dar ritmo a uma vida embalada pela presença constante da flor.
Pai de muitos e um amor igual, seja para o menor quanto para o mais velho. De sentimentos intensos, mas poucos divulgados. Ama a música, os livros, os bichos e quando o mundo escurece se preparando para a trovoada. E quase ri quando acorda e avista ruas e esquinas com rastro d’água.
É puro como criança, embora sempre tenha sido senhor de suas decisões. É com essa verdade que conduz sua caminhada. É assim que ao longo de seus 84 anos ainda imprime o ritmo de quem o tem como um homem que não cabe na imensidão.
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*Título inspirado no disco “Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos” do cantor e compositor Otto, assim como, na obra “A Metamorfose”, de Franz Kafka.